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Quem conta dois contos

Quem conta dois contos

08
Nov18

Bip

arp

Ano da Graça de 2025, ano 10 da web summit. O país estava digital, os médicos de familia eram agora virtuais. As queixas haviam desaparecido. Alfredo, imigrado no Zimbabué de Baixo havia 20 anos regressava à sua terra natal, Pias perto de Moura no Alentejo. Vinha de uma país e de uma experiência muito diversa. Pouco tecnológica. Assim que chegou, a mãe, comadre Ignácia, pediu-lhe que o acompanhasse ao centro de saúde. O edifício era novo, despovoado. Os utentes eram identificados pela impressão, digital, que impunham num artefacto logo à entrada. As portas abriram-se e ambos dirigiram-se a um gabinete para onde foi chamada Ignácia, a mãe. A voz da chamadora era metálica. A sala só tinha um robot estático um misto de chapa e humanoide. Qualquer coisa entre o Robocop e o Macaco Adriano. Sentaram-se

- Bip, dona Ignácia, hoje veio acompanhada, bip

- pois, vossemecê sabe como é, o meu Alfredo arregreçou lá das áfricas

- Bip, de que se queixa?

- Olhe dótor, tenho umas dores nas cruzes e ando enjoada, eu acho que é da vazia.

- Bip, não compreendo. Por favor soletre.

-Só leite?

- Bip, soletre. Cruzes? Não avalio religiões

- olhe lá nã é preciso ser empinado, tou-lha dizer que me doem as cruzes

- bip, por favor desloque-se ao hospital de S. João, Porto, onde há ainda médicos tipo 1

- Estás a ver filho, é sempre o mesmo. Olha este dótor não me receita, nem sequer me apalpa..é o mesmo com as comadres.

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