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Quem conta dois contos

Quem conta dois contos

08
Jan18

Canela

arp

O Director Geral das Novas Drogas Perigosas preparava-se para uma declaração pública através de conferência de imprensa. De compleição seca e de olhar dormente sobre um nariz avermelhado era pessoa com um curriculum importante nas instâncias internacionais já que tinha proposto e conseguido a liberalização de drogas como a canabis e a heroína. A sua guerra agora era outra: desmantelar o tráfico da canela. Logo após a proibição, pela União, conseguira uma séria de prisões importantes e fazia hoje parte dos noticiários de todas as principais cadeias europeias. Logo na primeira semana, numa operação planeada ao milímetro, detivera metade dos clientes do célebre traficante nos pastéis de Belém. Soube, por um informador, que o perigoso traficante punha, em segredo pó de canela nos bolos. O interrogatório, na cave do número 15 da Rua da Fé, durara horas. “Oh meu porco, porque é que andas a viciar os velhos na canela”. “Gostas de os ver naquele estado de sorriso imbecil sempre que trincam um dos teus bolos, Gostas?”
Depois, já com o apoio do exército entrava em casa das avós e confiscava os doces da abóbora com mais de um ano de casa. Estavam garantidamente impregnados da droga maldita. A imagem que mais o chocou foi ver em casa de uma idosa, na Beira Baixa, ela rodeada pelos seus 15 netos a quem dava, sem qualquer controlo, doce da abóbora com canela sobre requeijão! Ainda por cima de ovelha! Enviara a idosa para a cadeia e os netos para o Instituto da Reeducação. 
Os laboratórios demoravam em arranjar uma droga de substituição, assim como a metadona. O governo, através do Director Geral da Saúde aconselhava o uso de fígado de bacalhau ressequido. 
O problema, como com toda as drogas são os países que não aderem aos acordos. Os portugueses mais ricos viajavam para Marrocos, levando pastéis da nata congelados e doce de abóbora em vácuo. Os marroquinos haviam deixado de produzir haxixe agora que a canela era tão mais rentável. À custa de um perfumista francês haviam desenvolvido um aroma de canela que se vendia loucamente. Era a versão Patjouli dos anos 2014. 
Em vários países sub-sarianos o negócio mais antigo dos bordeis tinha tido uma deriva. Hoje já ninguém queria cachimbos de água. O grande atractivo eram os aromas a especiarias, em particular o da canela…
Em Hollywood foi realizado o segundo filme da saga “O justiceiro contra o caneleiro” protagonizado por um antigo governador.

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